Wednesday, February 14, 2007

se pudesse voar...


queria de novo o teu amor...o teu amor de madrugada, o teu amor com cheiro a incenso de baunilha e polvilhado com açucar...
queria e quero o teu amor...quero cada beijo, cada passo teu em direcção a mim...quero acordar-te com beijos...
quero tanto...
quero mas não tenho forças...
foram duras as palavras... senti pedras a roçarem-me a pele...
senti farpas...senti tanto
senti tudo desmoronar-se...e mesmo assim quero tanto reconstruir o nosso castelo...
hoje queria ter calçado as minhas sabrinas e ter voado contigo entre nuvens de algodão doce...
queria ter visto o mar contigo e a serra e tudo ao mesmo tempo...
queria ter-te sentido bem perto nem que fosse a ultima vez...
e quero...
e continuo a querer desesperadamente o amor que ainda nos resta...
tao desesperadamente que me afogo em lágrimas...
apetece-me sentar na varanda e gritar o teu nome...gritar que te amo e que te amo e voltarei a amar por mais que passe...
o verde continuará verde... a cama será sempre a nossa cama... os meus olhos serão sempre o reflexo dos teus....

amo-te e amo-te... e queria tanto dize-lo baixinho ou grita-lo...ou simplesmente senti-lo comigo e contigo...

2 Comments:

Blogger Gualdino said...

Mas afinal o k é k te impede de o dizer!?

Quem diz a verdade não merece castigo! O k é k temes?!


Mesmo k pudesses voar, para onde irias? O Mundo é tão pekeno...

3:53 AM  
Anonymous o meu livro said...

"Capítulo XII
(Inês…)

“És uma pessoa bonita”, era assim que Inês descrevia Maria. É claro que aqui o adjectivo não se refere a um mero atributo ou qualidade exterior mas antes a uma beleza interior, a uma particular e única que poucas pessoas conseguem alcançar.
Maria era realmente uma pessoa bonita. Calma e serena, exceptuando os rasgos esporádicos que por vezes se assemelhavam a um quê de loucura, afável, meiga, prestável… Facilmente a achávamos amorosa e nos afeiçoávamos, facilmente nos dávamos com ela. Maria era a típica pessoa de presença agradável, muitas vezes passando até despercebida, de quem facilmente se formava uma boa opinião. Não profunda nem interiorizada mas boa.
Inês não! Essa tinha uma presença marcante, mesmo sem se aperceber disso. Não precisava de mentir ou dissimular, não tinha de tentar ser algo que não era ou fingir gostar de algo que não gostava, bastava-lhe ser ela e isso era já mais que suficiente. Era impossível que passasse despercebida, simplesmente impossível. Inês era um génio e os génios nunca passam apenas, ficam sempre marcados na alma de quem os vê! Também por ser um génio, Inês não despertava apenas simpatia. Era humanamente inconcebível que, depois de a conhecer, alguém sentisse apenas simpatia por ela. Quando falo em conhecer digo conhecer mesmo, conversar, descobrir os gostos através dos pequenos comentários, interpretar gestos, olhares, atitudes… Muito mais do que uma simples conversa de café, banal e quotidiana, pode dar.
Havia apenas duas coisas a sentir ao conhecê-la, não enquanto mera existência mas enquanto sublime essência: Amor e Ódio! Sei que parece algo exagerado fazer uma afirmação destas mas, como se costuma dizer, esta era a verdade nua e crua. Ou nos apaixonávamos perdidamente, ficando extasiados perante a sua presença, adorando cada gesto e palavra, ou nutríamos por ela um sentimento de asco e repugno, derivado de uma cruel inveja e de uma não-aceitação da diferença e superioridade de outrem. Desta forma, ou se encontrava ali uma beleza inefável ou uma existência abominavelmente anormal!
É claro que o(a) leitor(a) atento(a) percebe facilmente qual o sentimento que Maria nutria por Inês, já anteriormente referido, era Amor! Um Amor desenfreado, desmedido, um Amor de tal forma avassalador que, por vezes, parecia respirar todo o ar circundante, deixando a Maria uma mísera réstia que lhe permitia, não viver, mas apenas sobreviver. Maria amava, venerava, idolatrava aquele ser tão único, tão maravilhosamente perfeito, de uma perfeição que cegava e ensurdecia qualquer pseudo-genialidade que se pensasse conhecer. Inês sim era um génio, um anjo caído dos céus, uma musa dos tempos antigos, em ser ridiculamente apaixonante.
Por isso significava tanto a Maria essa frase, “És uma pessoa bonita”. Não sabendo bem o que Inês queria dizer com tais palavras, receando deturpar a ideia expressa por tal oração, Maria quedou-se, contudo, feliz. Apoderando-se dela uma calma e serenidade de conto de fadas, aquela sensação preciosa do sussurro de um vento primaveril, Maria esboçou um sorriso delicado e carinhoso, como se aquela frase fosse uma carícia amorosa sentida naquele preciso momento e à já tanto tempo desejada…
O problema em tudo isto, pois se não existissem problemas a vida seria uma apatia entediante, era, não o que Inês queria dizer com aquelas palavras, mas o que Maria queria que aquelas palavras significassem… As palavras podem ser pétalas ou espinhos, podem fazer carícias ou dar estaladas que ficam marcadas para toda a vida. Podem ser simples e directas ou ambíguas, dúbias como o nevoeiro. E ali, naquelas quatro palavrinhas tão simples, tão naturais e, até mesmo, banais, podia estar um discurso directo e objectivo ou um segundo sentido, algo implícito que nunca se sabe bem ser verdade. Era esse o receio de Maria. Queria ver ali mais do que realmente significavam, havia realmente algo por detrás daquela banal oração, ou toda aquela problemática era apenas momentânea, não tendo qualquer sentido dai a algum tempo? Mais uma vez Maria encontrava-se numa encruzilhada, como tinha sido toda a sua vida, um rio inconstante e tempestivo, cheio de curvas e contracurvas, e com paragens sucessivas aquando do aparecimento de mais do que uma direcção. Talvez todas as vidas fossem assim, talvez ela encontrasse tempestades onde na realidade apenas havia uma chuva reconfortante, talvez… Talvez… Quem sabe…
A cada dia que passava Maria sabia algo mais sobre Inês. Algo dito por ela, algo escrito, algo perceptível por um olhar ou um sorriso e a cada momento que a conhecia melhor mais loucamente se envolvia naquele turbilhão de sensações e sentimentos que, pouco a pouco, lhe chacinavam o peito. Sim, é verdade, Maria não sabia o que era aquilo, era algo que nunca havia sentido antes, algo completamente novo e sem qualquer nexo mas tão maravilhosamente bom. Havia um rasto de masoquismo nela! Sofria, sofria demais com tudo aquilo mas, ao mesmo tempo, sentia-se de novo viva, sentia-se de novo capacitada a correr o mundo e enfrentar todos os terrores do mundo, simplesmente para fazer com que Inês se sentisse bem, feliz. Se isto não é amor então não sei que outro nome lhe dar, não sei onde ir para arranjar palavras que descrevam um tão inefável sentir… Era amor, tinha de ser, só podia sê-lo… Não interessa que tipo de amor, que consequências poderia trazer ou até que consequências poderia Maria querer mas era, indubitavelmente, Amor!"

9:55 AM  

Post a Comment

<< Home